Cascalho pelo Mundo

Bem-vindo a bordo!

Cascalho around the world

welcome to our World!

Cascalho pelo Mundo

Bem-vindo a bordo!

Cascalho pelo Mundo

Bem-vindo a bordo!

Cascalho around the World

The best blue!

Bem-vindo a bordo do Cascalho pelo Mundo

Foi logo que começamos a namorar... queríamos viver a vida mais intensamente e dar asas a uma paixão comum: viajar e conhecer os quatro cantos do mundo. E decidimos que faríamos isso a bordo de um veleiro e, mais ainda, que buscaríamos este veleiro na Itália. Com 600 euros no bolso, partimos. Durante muitos anos na Itália, trabalhamos para juntar dinheiro e depois, começamos a procurar o barco que viria a ser a nossa casa... quando encontramos o Cascalho, não tivemos dúvidas... era ele !!! Tínhamos encontrado a nossa casa. Não precisávamos mais sonhar esta parte. A partir daí, foi só viver o sonho, dar ao nosso barco-casa a nossa cara e com ele viver a vela pelos quatro cantos do mundo. Exatamente como tínhamos sonhado...
Mostrando postagens com marcador Armação do Itapocoroy. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Armação do Itapocoroy. Mostrar todas as postagens

De volta ao nosso porto...

Amamos vocês!!!
16 de abril de 2013
Latitude 26°47'35"S e Longitude 048°36'30"
08:00h
Armação do Itapocoroy... estamos de volta à Prainha do Cascalho.
Acordamos ainda sentindo o gostinho da maravilhosa velejada de ontem. Vislumbrando o futuro e tudo o que ele guarda para nós, tratamos logo de arregaçar as mangas para colocar o Cascalho em dia e estarmos prontos para a próxima partida... combustível, água, compras, alguns pequenos reparos e manutenções. Como ninguém é mesmo de ferro, aproveitamos também para curtir um pouquinho com os amigos. Foi tudo muito bom.
Quando voltaremos? Difícil dizer... vamos agora navegar outros mares. E como dizem tantos e tantos dos nossos amigos: "vocês tiveram coragem de sonhar o seu sonho e de fazer o que muitos gostariam, mas não tem coragem".
Agora estamos realmente vivendo aquilo que sonhávamos viver. A visão da cidade vai ficando para trás. Dentro de nós agora, os sentimentos de uma criança curiosa: viajar, viajar, navegar, conhecer... conhecer o mundo, saber porque, conhecer mais, explorar, trocar cultura, brincar de viver... só isso!!!  

Partindo de Floripa!

Bom dia, Floripa!

...e até a próxima!

Os desenhos da costa...

...bem pertinho de nós!

Bem pertinho!!!

No Caixa d´Aço, com o Trilim e o Balanço do Mar.

Direções opostas.

E a tardinha cai...

Tráfego intenso por estes lados.

Até amanhã Astro Rei!
15 de abril de 2013
Latitude 27°30'38"S e Longitude 048°31'31"W
06:45h
Rumo ao Oiapoque... mas não com tanta pressa!!! Sim, hoje é o grande dia. Começamos a subir a Costa Brasileira, rumo ao Oiapoque que, nem de longe, será o nosso limite.
Acordamos cedinho  e com muita tranquilidade começamos a preparar a partida, tomados por uma imensa alegria. Já estamos sentindo falta das navegações mais longas e das longas ondas aceânicas. Afinal, somos navegadores oceânicos!!! Depois de um delicioso café da manhã, levantamos âncora e com os dois motores a 2.200 giros nos colocamos no rumo: proa em 341°, nos deslocando a 6 nós com um ventinho terral de apenas 1,5 nós. Céu de brigadeiro, mar liso mas muito frio. Por volta de 10:00h, já no través com a Ponta de Ganchos, aproados em 45°, entrou um Norte/Nordeste de 10 nós. Erguemos a grande, desligamos os motores e o Cascalho deslizava feliz, surfando as longas ondas do Atlântico que também deram o ar da graça, fazendo 7,3 nós de velocidade.
E o dia transcorreu assim... navegação muito tranquila, mas sempre atentos, já que mais uma vez decidimos fazer uma navegação costeira para apreciar a beleza das encostas. Momentos de silêncio se alternavam com momentos de extrema alegria. Sabemos que vai demorar para navegarmos estes mares de novo e, esse saudosismo antecipado se mistura com a ansiedade pelo que está por vir. Como estamos em clima de despedida, ao chegarmos a Ponta de Porto Belo, decidimos voltar ao Caixa d´Aço para almoçarmos tranquilamente. Ancorados, curtindo um belo visual, preparamos nosso almoço. Quando levantamos âncora novamente, o vento soprava um pouco mais forte, cerca de 15 nós e, com proa em 11° navegamos por cerca de 5 horas, nos deslocando a uma média de 6 nós, até ancorarmos de novo no nosso porto do coração: a Prainha do Cascalho, em Armação do Itapocoroy. Eram 19:20h e a noite estava um breu.

Navegar é preciso... de Armação do Itapocoroy a Florianópolis


Lucas, nosso marinheiro mirin.
Da janela lateral... ancoragem em Balneário Camboriú.
Balneário ao anoitecer...a orla.

A Ilha das Cabras.

Praia lotada.
O bondinho.

Parque Unipraias.

No Caixa d'Aço... enseada tranquila.
Novos amigos.
Eric... do Balanço do Mar...
...espaço disputadíssimo!

Restaurante Flutuante Maresia... um luxo!
A enseada em dia de festa...
Na Ponta dos Ganchos, rumo a Florianópolis.
Bem pertinho da costa...
O outro lado...
Florianópolis a vista...
As pontes... três, uma depois da outra.
O Iate Clube da Santa Catarina...
Chegamos!!!

09 de fevereiro de 2013
Latitude 26°47'35"S e Longitude 048°36'30"W
07:00h

As semanas que se seguiram a nossa chegada foram de uma alegria sem fim. Recebemos e fomos recebidos calorosamente por um sem número de pessoas queridas. Muitas navegaram conosco. Melhor não dar nomes, para não correr o risco de esquecer alguém. Tantos encontros ainda faltaram; por outro lado, tantos novos aconteceram.

Mas chegou a hora de navegar outros mares...

E assim, as vésperas do carnaval, levantamos âncora da aconchegante Baía de Armação do Itapocoróy e nos dirigimos para Balneário Camboriú, distante apenas 15,5 mn ainda mais para o Sul. Fizemos uma navegação bem costeira mas muito segura, já que este pedacinho de paraíso o capitão conhece como a palma da sua mão. Claro, sempre de olho nos nossos instrumentos de navegação também. A navegação costeira nos propiciou apreciar as belezas dos costões e das tantas prainhas pelo caminho... virando a Ponta da Vigia, o longo costão de pedras termina na famosa Prainha da Paciência, pequena e de águas cristalinas, onde antigamente os pescadores esperavam a aproximação das baleias. Depois dela, a Grande, orgulho de todos os penhenses e seus surfistas. E por fim, a Praia Vermelha, a jóia da Penha e uma das mais belas do litoral catarinense, semideserta, com bastante areia, restinga e mata nativa. O vento tímido enchia as nossas velas, mas nos fez motorar em alguns períodos por nao ser suficiente. Logo deixamos para trás também a longa orla de Navegantes, separada de Itajaí pelo Rio Itajaí-Açú. A Praia Brava, mais famosa deste pedaço do litoral, a esta hora já estava lotada. Ainda de longe avistamos o Morro da Aguada, com o bondinho que liga a cidade na altura da boca do Rio Camboriú, a Praia de Laranjeiras, outra de rara beleza. Sempre movimentada, de mar calmo e verdinho, um pequeno píer para receber embarcações e uma passarela de madeira ao longo da praia repleta de bares, restaurantes e lojinhas. Aqui esta uma das duas estações do teleférico que leva ao Parque Unipraias, no alto do morro. A outra está na Barra Sul. É o Pão de Açúcar do Sul do país. O passeio é imperdível... são três estações de teleférico, 1600 metros de cabo, sendo a segunda no alto do morro, onde se pode percorrer pequenas trilhas e praticar atividades de aventura como o arvorismo e o trenó de montanha, descendo 600 metros e chegando a uma velocidade de 60 Km/h. Tudo isso em contato com um pedacinho exuberante de Mata Atlântica, riquíssima em flora e fauna e, ainda, uma vista estonteante da cidade e dos seus arredores. Em seguida, a Barra Sul foi se descortinando, com todos os seus arranha céus que dominam a linha do horizonte da cidade. Aos poucos, a longa praia foi se abrindo a nossa frente. Passamos pela Ilha das Cabras e, pouco mais a frente, já baixávamos a nossa âncora, a apenas duzentos metros da praia. Chegamos... a este que é um dos destinos mais vibrantes de todo o litoral Sul. Na areia, a família Conte já nos esperava. De longe nos viram chegando. E foi com eles que desfrutamos dos mais belos momentos de paz, tranquilidade e harmonia nos dez dias que se seguiram... diversão garantida, na água ou na areia, caminhadas e mais caminhadas pelos oito quilômetros de areia da praia central, velejadas ao longo da belíssima orla da cidade observando de longe o ir e vir de cadeiras, cangas e guarda-sóis disputando um lugar ao sol... muito churrasco e cerveja... e, é claro, família, amigos e chimarrão.

Daqui, seguimos para Porto Belo, 12 mn ainda mais para o Sul. Este é um dos mais movimentados portos de pesca da região. A cidade que se espalha ao longo de uma extensa praia de areia e os seus charmosos arredores fazem daqui um destino popular durante o verão. A Ilha de Porto belo garante bons pontos de mergulho,  trilhas ecológicas em meio a uma exuberante mata, inclusive com inscrições rupestres e um museu que conta a história da ilha, onde alguns exemplares de fósseis podem ser vistos. Do alto do mirante, uma bela visão da região. Depois do agito de Balneário Camboriú, escolhemos ancorar no Caixa D'Aço, uma enseada super protegida e muito calma. Quase sem pessoas... só durante a semana. No final de semana, as lanchas começam a chegar cedo. Quanto mais cedo, melhor. E a pequena enseada fica lotada e barulhenta até o sol se por. O Balanço do Mar, um dos bares flutuantes do lugar, dos queridos Eric e Aline, faz o serviço de bordo... atende os teus pedidos a bordo ou, te pega a bordo para te levar a bordo do bar!!! Da mesma forma que o Restaurante Flutuante Maresia, do Mário Maresia, velho conhecido do irmão do comandante. Passamos dias deliciosos e deliciosamente despreocupados ali, na companhia de novos e velhos amigos que também vieram nos visitar.

Finalmente, em 25 de fevereiro seguimos em direção a Florianópolis, na Ilha de Santa Catarina. Palco das primeiras águas nas quais velejamos juntos, em 2006. Especial!!! Levantamos âncora cedinho, por volta das seis horas da manhã e, em oito horas vencemos as 32 mn que nos separavam do ICSC-Iate Clube de Santa Catarina, na Baía Sul em Florianópolis. Só a vela, com ventos muito fracos. Sem pressa. Afinal, não temos pressa. Mais uma vez, a navegação costeira nos revelou verdadeiros tesouros, encravados ao longo de todos os recortes da costa: praias de areias branquinhas e águas claras, badaladas ou não, civilizadas ou selvagens, semi ou até desertas, com muitos pontos de mergulho, ou apenas para relax e caminhadas. O sobe e desce dos costões, formam cenários de tirar o fôlego... seja a Ponta de Porto Belo ou a Ponta dos Ganchos, ou ainda, a Ponta da Armação - outra, a da Piedade, ainda mais ao Sul. Esta marca também a entrada para a grande Baía Norte entre a ilha e o continente. Agora, temos terra para os dois lados: a bombordo, a ilha e, a boreste, o continente. Algumas ilhas e baixas profundidades tornam a primeira navegação por estas águas um pouco apreensiva. Bem na entrada da baía, uma notícia triste: a Nina, mãe do capitão, acaba de nos deixar. Depois, passando sob as pontes para entrar na Baía Sul, a antena do topo do mastro enroscou não só na Ponte Colombo Sales, mas também na Ponte Pedro Ivo Campos. Nas duas. Chegamos do outro lado pálidos mas, felizmente o mastro continuava em pé, assim como a antena e os anemômetros. Nem um arranhão. E, por volta de duas horas da tarde, atracamos na sede do ICSC-Veleiros da Ilha.

Armação do Itapocoroy - Estamos em casa!!!

O Itacolomi à popa do Cascalho.
A Nina...
O Fernando e a Doceli...
Em águas tranquilas!
As bateiras do Cascalho.
A coroa onde se encalhavam as baleias e o Cascalho - no Cascalho!
Pescaria...
...ao por do sol!
A Capelinha de São João Batista, no ponto mais alto do morro.
A capelinha... na contra luz do nascer do sol.
A Armação do Itapocoroy.
A Prainha do Cascalho.
Rotina...
Nosso primeiro veleiro!!!
A Praia Grande.
O Trapiche.
Armação do Itapocoroy, vista do Trapiche.
Petisqueira do Alírio.

05 de janeiro de 2013
Latitude 26°47'35"S e Longitude 048°36"30"W
17:30h

E naquele momento, esquecemos de tudo. Nossos olhos se moviam rapidamente entre a Ponta da Vigia, o Trapiche e a Prainha do Cascalho. Difícil coordenar as emoções, o coração batia muito forte e sobressaltado, faltando espaço no peito... 60 dias de viagem, de Roma até este cantinho. A consumação da nossa vitória, o nosso sonho realizado. Recolhemos as velas, jogamos a âncora, desligamos os motores. O Cascalho finalmente chegou ao Cascalho. Descanso merecido para o gigante bravo que, na sua primeira viagem além do Mediterrâneo, elegantemente navegou quase 6.000 milhas náuticas. Para nós, ainda tem mais uma viagem... os quatrocentos metros , os mais longos, que nos separam do chapéu de sol. Ganhamos carona: a Sheila e o Valcir, primeiros a apertar nossas mãos e abraços, nos conduziram brilhante e triunfalmente até ele. Lá, exatamente como há muito tempo nos dizia, estava sentada a Nina - mãe do comandante, a nos esperar. "Parece um sonho", ela dizia. Fernando e Doceli, pais da Mauriane, não puderam nos ver chegar. Chegamos um dia antes. Eles, no dia e hora marcada. E, foi só quando abraçamos estas três figurinhas que entendemos o verdadeiro sentido da palavra saudade. Eles, que são a base da nossa história. Realizamos o nosso sonho mas, de nada adiantaria se não voltássemos para casa para dividir a nossa alegria com eles. Para que a nossa alegria também fosse deles.


Neste cantinho, berço dos índios carijós, onde mais tarde se estabeleceram muitos açorianos que procuravam novos locais para a caça e beneficiamento de baleia, tornando-o uma das maiores armações baleeiras do Sul do Brasil. No século XIX, a caça da baleia foi substituída pela pesca artesanal e, até hoje, os pescadores locais deixam as suas embarcações neste pedaço da praia com cerca de 800 metros, protegida dos ventos e de mar muito calmo. O trapiche completa o cenário. Cartão postal.

A Capelinha de São João Batista, que do alto do morro guarda todas as embarcações, foi construída em 1759, com óleo de baleia na sua estrutura. A imagem do padroeiro, que veio de Portugal, é venerada há quase 200 anos no seu altar. Do alto da Ponta da Vigia, ponto utilizado pelos baleeiros para avistar as baleias, uma visão deslumbrante da cidade: a longa Praia da Armação; a Ilha Feia, distante apenas alguns minutos da costa e privilegiada pelas suas belezas naturais como a Gruta do Diabo, quase inexplorada; o Farol e a Praia Grande, a preferida dos surfistas e pelos amantes de águas cristalinas e areias claras. Do alto da ponta também se pode acompanhar o ir e vir dos pescadores, com todos os seus apetrechos de pesca ou apenas catando marisco nas pedras, e até aqueles que arrastam as suas redes de camarão a apenas 500 metros da praia. 

Na gastronomia, a herança da cozinha típica portuguesa e os frutos do mar são o ponto alto. Na Petisqueira do Alírio, além da excelente cozinha, da varanda aberta para o mar pode-se avistar o ancoradouro dos barcos de pesca, tartarugas nadando tranquilamente e desfrutar do mais belo por do sol. Esse é o nosso cantinho!!!

Última perna antes do nosso porto...

O azul e o céu e o mar...
Troca de óleo... ossos do ofício!
Difícil não é estar lá...
...difícil foi fazer ele chegar lá!!! 20 metros de altura!!!
Por um fio...
Tudo em ordem, podemos partir.
E Armação de Búzios vai ficando para trás...
No comando.
Muitos navios de cruzeiro.
Na medida para dois.
Almoço garantido!
Navegação tranquila.
O farol de Cabo Frio.
E depois da tempestade... a bela Ilha Bela...
...com sua cachoeiras...
...casas, canhão e barcos.
Um douradão...
...o maior de toda a viagem.
Prato feito.
Alcatrazes.
Dia cinza.
Nossos fiéis companheiros... compartilhando a alegria.
Último entardecer...
DTW: 100 milhas náuticas.
Bom dia cinco de janeiro!!!
Lá do alto... agora bem perto!!!
E as velas são baixadas... quase seis mil milhas náuticas... é hora de descansar!!!

02 de janeiro de 2013
Latitude 22°29'59"S e Longitude 041°54'18"W
08:15h

Ansiedade enorme apertando o peito mas a felicidade também é imensa. Pouco mais de 400 milhas náuticas nos separam de casa. Só isso! Marcamos dia e hora para chegar: domingo, seis de janeiro, entre nove horas da manhã e meio dia.

Hora de dizer "adeus" a este paraíso. Chegou então a hora de levantar âncora e partir... não sem antes trocar o óleo dos motores e consertar a adriça da vela grande que estava por um fio. Ainda pudemos aproveitar o mesmo cabo, pois o problema estava bem no topo do mastro. Bastou cortar um pequeno pedaço e refazer o nó. Tudo em ordem... vamos navegar!

8:15h - ligamos os motores e recolhemos a âncora, saímos da baía e rumamos para a nossa armação. Rota direta. Vento bom, mar bom e, menos de uma hora depois, o molinete nos avisa que tem peixe na linha. Um atum na medida certa para dois. Almoço garantido. Continuamos navegando tranquilamente e logo passamos o Cabo Frio. Uma estranha névoa tomava conta do ar, deixando tudo como se estivéssemos iluminados por uma imensa lâmpada de tungstênio. Pré-anúncio do que estava chegando... o mar aos poucos foi engrossando e o vento mudando de direção. Por volta das dez horas da noite, quando estávamos de través com o Rio de Janeiro, o caos já tomava conta da situação: muitas ondas, tudo bem que não eram tão grandes, mas que vinham de todas as direções e vento quase na cara, começaram a nos judiar muito e seguiram assim por muito tempo. Navegamos a noite toda nessa situação. Ao amanhecer, decidimos alterar nossa rota e rumar para Ilha Bela, afinal não tínhamos certeza do que encontraríamos pela frente. A previsão do tempo não nos mostrava nada disso. O dia continuou exatamente igual. Pancadaria. No final da tarde, depois de já termos cruzado a linha imaginária do Trópico de Capricórnio, na altura da latitude 23°26'16"S e ter portanto, saído da zona tropical do planeta, as coisas começaram a se acalmar, pois tínhamos o embate da Ilha Bela nos protegendo do vento. Entramos no Canal de São Sebastião e, exatamente as 19:00h nos amarramos a boia do Iate Clube de Ilha Bela. Sãos e salvos. Nós e o Cascalho. Mas, muito cansados. Nós muito mais do que o Cascalho. Ficamos aqui somente o tempo necessário para que o mau tempo saísse da nossa frente... apenas doze horas. Nem saímos do barco, queríamos apenas descansar.

O dia seguinte amanheceu chuvoso. Mas as condições de navegação deveriam ser melhores. Nos preparamos e partimos com a previsão de ter que motorar muito. Surpresa ao deixar o canal: ventos de 15 a 20 nós vindos de alheta e as queridas ondas do Atlântico. Motores desligados, velas ao vento e o Cascalho surfando maravilhosamente bem cada uma delas. Linha n-água e, mais uma surpresa: o maior peixe de toda a viagem. Um dourado de mais de 20 quilos e quase do tamanho do capitão. Levou 300 metros de linha e tomou quase uma hora de trabalho exaustivo para embarcá-lo. Logo virou almoço. E todo o resto iria para a casa da Nina - mãe do capitão. Vai ter peixada em família.

Deixamos a Ilha de Alcatrazes para trás. A navegação agora sim, segue tranquila e, apesar do tempo cinza,o tempo parece estar melhorando lá no Sul. A vontade de chegar logo ao último waypoint destes 60 dias de viagem é tão grande que decidimos usar os motores. Aceleramos... Nosso último fim de tarde no mar foi marcado pela presença de muitos golfinhos e um entardecer que nos mostrava que o dia seguinte seria azul. A noite foi escura, iluminada apenas pela tímida luz da lua minguante que prateava o nosso caminho. Golfinhos nos acompanharam a noite toda, desde São Paulo, passando pelo Paraná e chegando a Santa Catarina. As 04:00h da manhã ainda faltavam 100 milhas náuticas para o nosso destino.

Nem sentimos o dia passar. Quando, finalmente, no horizonte se descortinou o Morro do Pires e, logo depois as duas pedras que formam a Ilha Itacolomi, chamada carinhosamente pelos pescadores da região de "as mamica da Custódia", entendemos que estávamos chegando... nossos olhares se fixaram naqueles pontos e, três horas mais tarde, nossa âncora foi jogada ao mar na Armação do Itapocoroy.