Cascalho pelo Mundo

Bem-vindo a bordo!

Cascalho around the world

welcome to our World!

Cascalho pelo Mundo

Bem-vindo a bordo!

Cascalho pelo Mundo

Bem-vindo a bordo!

Cascalho around the World

The best blue!

Bem-vindo a bordo do Cascalho pelo Mundo

Foi logo que começamos a namorar... queríamos viver a vida mais intensamente e dar asas a uma paixão comum: viajar e conhecer os quatro cantos do mundo. E decidimos que faríamos isso a bordo de um veleiro e, mais ainda, que buscaríamos este veleiro na Itália. Com 600 euros no bolso, partimos. Durante muitos anos na Itália, trabalhamos para juntar dinheiro e depois, começamos a procurar o barco que viria a ser a nossa casa... quando encontramos o Cascalho, não tivemos dúvidas... era ele !!! Tínhamos encontrado a nossa casa. Não precisávamos mais sonhar esta parte. A partir daí, foi só viver o sonho, dar ao nosso barco-casa a nossa cara e com ele viver a vela pelos quatro cantos do mundo. Exatamente como tínhamos sonhado...

Furação Irma... ajude-nos a mudar essa realidade!


Furacão Irma

Esta é uma história de vida real: são centenas de milhares de pessoas que perderam suas casas e seu meio de subsistência, assim como as esperanças no amanhã.

Nós, o Luiz Fernando da Silva e a Mauriane Conte do Cascalho velejando pelo Mundo, vimos, vivemos e sentimos o quão feroz e impiedosa foi a tempestade.

O Furacão Irma destruiu não só a casa e os barcos das ilhas do Caribe por onde passou. Ele destruiu muito mais: destruiu praticamente tudo o que havia naquelas ilhas e que foi construído pelas mãos dos homens. Mas isso não é o mais importante. Tudo pode ser reconstruído.

O Furacão Irma destruiu muito mais: destruiu a possibilidade daquelas pessoas de poder trabalhar, de poder comer, de ter o que beber, de poder tomar banho, de fazer suas necessidades num vaso sanitário, de poder voltar para casa depois de um dia de trabalho e descansar, de passear com a família e os amigos no final de semana. De assistir televisão, ouvir um rádio, navegar pela internet, se conectar com o mundo exterior. Destruiu a possibilidade de as crianças irem para a escola e construir o seu futuro e destruiu a possibilidade de que seus pais lhe deem isso. Eles nem podem se permitir ficar doentes ou se machucar, porque não tem como serem tratados. Destruiu até mesmo a possibilidade de reconstruir.

Para a maioria dos verdadeiros residentes daquelas ilhas, a única esperança que resta é esperar por ajuda… calçados, comida, água, roupas, medicamentos, qualquer brinquedo para as crianças, lanternas, pilhas, carregadores solares, diesel para os geradores e motoserras, dessalinizadores, lonas, martelo, prego, serrote, ferramenta, madeira… possibilidade de sobrevivência, possibilidade de começar a trabalhar e lutar pela vida!

Nós saímos de lá. Mas nós queremos voltar! E lutar pela reconstrução da vida daquelas pessoas. Porque só ajudando aos outros é que nós conseguiremos nos ajudar também para que possamos sair melhores e mais fortes desta tragédia.

Entretanto, nós também perdemos tudo. Ficamos com pouco mais do que a roupa do corpo e um par de chinelos. Então precisamos da sua ajuda!

Ajude-nos doando qualquer quantia e depositando-a na conta abaixo. Nós vamos usar o dinheiro da sua doação para comprar roupas e calcados para nós, para nos alimentar e para levar esperança as pessoas que perderam muito mais do que nós.

Luiz Fernando da Silva
CPF 075 284 038 06
Banco do Brasil
Agencia 3257-3
Conta 11226-7


ATITUDES MUDAM AS PESSOAS E PESSOAS MUDAM O MUNDO. Não somos os únicos engajados nesta causa. Somos uma legião! Obrigado por fazer parte dela!

Furação Irma... e agora?



Amigos! Já encontramos uma coisa para fazer! Que vai nos fazer melhores e mais fortes depois desta tragédia!
Não temos palavras para agradecer a tantas manifestações de carinho, solidariedade, orações e apoio. Tantas pessoas nos oferecendo toda a forma de ajuda, inclusive ajuda financeira. Isso é muito comovente. Muito obrigada.
Continuamos completamente devastados pela tragédia que nos atingiu, por todo o sofrimento, ansiedade, incerteza, por todos os anos de luta para conseguir chegar no Cascalho e por todas as alegrias vividas com ele, por cada coisinha que ficou dentro dele, por todas as lembranças. Por tudo.
Mas estamos vivos!!! Isso é maior e mais importante do que tudo! E somos muito gratos por isso!
Quando o furacao passou e estávamos vivos e ilesos, a realidade catastrófica nos deixou estarrecidos. A única certeza que tínhamos, a única vontade e a única luta naquele momento, era achar uma forma para sair de lá. Não tínhamos comunicação, luz, água, roupas, uma propriedade ou qualquer outra coisa que nos segurasse lá. Em breve não teríamos mais comida e nem água para beber. No meio daquele cenário de destruição total, sentimos muito pelas outras pessoas e pela desgraca trágica de cada um, mas a partir daquele momento era cada um por si. Sair dali imediatamente era uma questão de sobrevivência.
E como mais uma vez o universo conspirou e a Graça Divina nos concedeu, menos de 24 horas depois da tragédia ja tínhamos arranjado um jeito de sair de lá. Encontramos uma alma boa, cujo barco sobreviveu a tragédia e ele nos permitiu viajar com ele. Preparamos o pouco que nos sobrou e 48 horas depois que o furacão passou, ja tínhamos deixado Tortola nas Ilhas Virgens Britânicas e chegado em Porto Rico, saos e salvos, intactos, sem um arranhão.
Chegando aqui, fomos recebidos no pier com agua e um delicioso sanduíche oferecidos pela marina. Nos acomodamos num hotel felizes por ter voltado a normalidade, tomamos um banho maravilhoso e tínhamos uma cama maravilhosa para dormir. Pensamos que a partir dali tudo ficaria bem!
Mas nao ficou! A noite não foi boa, não dormimos bem, tivemos pesadelos, passamos a maior parte da noite acordados, conversamos, questionamos e choramos muito, um choro desesperado.
Por que?
Simplesmente porque depois de tudo isso nunca mais seremos os mesmos.
Temos uma missão! Conseguimos sair de lá, não para deixar tudo para trás, mas para chegar do outro lado e nos juntar a uma legião de pessoas que estão dispostas a arregacar as mangas e trabalhar para ajudar as pessoas que lá ficaram e que tem simplesmente nada além da possibilidade de viver em meio aos destroços e esperar por ajuda.
Se tudo der certo, amanhã parte a primeira flotilha de barcos aqui de Porto Rico, em direção a Tortola, levando água, comida, medicamentos, roupas, ferramentas, diesel e esperança para as pessoas! Luiz e Alex capitaneando uma dessas embarcações.
E que Deus continue nos abencoando! Que bons ventos soprem para nós! A história do Cascalho velejando pelo Mundo não acabou!

CONCEDEI-ME, SENHOR A SERENIDADE NECESSÁRIA

PARA ACEITAR AS COISAS QUE NÃO POSSO MODIFICAR
CORAGEM PARA MODIFICAR AQUELAS QUE POSSO
E SABEDORIA PARA CONHECER A DIFERENÇA ENTRE ELAS

Furacão Irma






ESTAMOS VIVOS!!!

Apesar de toda a confiança, em muitos momentos chegamos a duvidar. O que vimos e vivemos nem precisamos dizer que foram as piores coisas da nossa vida. Não conseguimos encontrar palavras para expressar nosso sentimento. Estamos arrasados. Perdemos o Cascalho e perdemos o ToNina. O Cascalho era o barco melhor preparado da marina para enfrentar esse furacão de categoria 5. (até hoje esta era a categoria máxima. Provavelmente o furacão Irma sera elevado a categoria 7). Reforçamos todos os cunhos do barco, amarramos um sem número de cabos no próprio pier, nos cunhos do pier e nos pilares base de sustentação dos piers usamos cabos e correntes. Além dos cabos normais, usamos cabos de dyneema (praticamente mais forte do que este cabo, só os cabos de aço) e protegemos todos os cabos com pedaços de uma mangueira especial para não serem rebentados pelo atrito com o cimento. Além de toda a amarração e mesmo estando no pier, jogamos âncoras para segurar o barco por todos os lados. 

A primeira parte do furacão passou e, como se nada tivesse acontecendo, o sol voltou a brilhar, o céu voltou a ficar azul e o vento parou de soprar. Estávamos dentro do olho do furacão. Abrimos a porta de casa e o cenário de devastação total nos arrasou. A cidade já estava no chão. Carros virados, tudo quebrado, paredes inteiras de prédio que voaram, todas as árvores arrancadas, nem mais uma folha nas árvores... flagelo. Corremos para o pier e mal pudemos acreditar... muitos dos barcos já estavam perdidos mas o Cascalho estava lá, firme e forte, com nada arrebentado, com nada quebrado, firme e forte, bravo como sempre foi. Ficamos dentro do olho do furacão por uns 20 minutos, aí chegou a hora de enfrentar a segunda parte.

Estávamos muito confiantes. Iríamos sobreviver, nós e o Cascalho.

Corremos para casa e nos trancamos. Desta vez tínhamos que proteger melhor a nossa porta. O vento sopraria direto para ela e se ela não resistisse nos estaríamos perdidos. Colocamos almofadas na porta para amortecer os impactos, pegamos a mesa e colocamos em pe por trás da porta além de vários outros móveis pesados empilhados, o Luiz e o Alex se revesaram o tempo todo segurando a porta. E os ventos mais fortes, aqueles que rodeiam o olho formando a sua parede, que já tinha nos assolado antes de entrarmos no olho do furacão, sopraram novamente impiedosos sobre nós. A porta tremia, o vento rugia não em rajadas mas constante, soprando a mais de 300 quilômetros por hora. A pressão atmosférica era tao grande que os ouvidos ficavam trancados o tempo todo, nos causando uma sensação mil vezes pior do que quando um avião pousa e decola. Tudo que estava solto pelo chão do lado de fora voava batendo violentamente nas paredes, portas, janelas e telhado. A cada novo impacto, nossas esperanças diminuíam um pouco mais. A Carla e eu já estávamos dentro do nosso bunker - um abrigo dentro do abrigo contra furacões, so esperando a hora que o teto voasse, a porta se fosse e os homens viessem para junto de nós. Felizmente, esse momento nunca chegou. O vento começou a diminuir e finalmente conseguimos abrir uma janelinha para espiar nossos barcos. O Cascalho continuava no lugar dele, amarrado ao pier onde o deixamos. Mas já não estava flutuando. Foi afundado por outro barco que o vento fez voar e dar uma pirueta caindo de ponta cabeça em cima do nosso Cascalho, como se fosse uma folha de papel. Esse barco nos preocupou, era de um casal de amigos sul africanos amigos nossos. Entramos em contato com eles na segunda feira de manhã, enquanto estávamos preparando o Cascalho. Perguntamos a eles se eles sabiam da tempestade e dissemos que o barco deles não estava preparado para o furacão. Dissemos que infelizmente não poderíamos ajuda-los pessoalmente pois estávamos muito ocupados, mas que se eles não tivessem ninguém, nós poderíamos chamar alguém para preparar o barco deles. No final da tarde eles nos responderam dizendo que alguém viria preparar o barco. Essa pessoa veio, mas infelizmente não fez o suficiente. O barco deles não resistiu a tempestade e afundou o nosso Cascalho. Muito triste. Inconscientemente, nossa preocupação tinha uma razão de ser. O Cascalho continua lá, amarrado ao pier, os nossos cabos de dyneema cortaram o casco do outro barco, nenhum cunho do Cascalho rebentou nenhum cabo se soltou daquele lado do pier. Mas era querer demais do nosso Cascalho que ele suportasse o peso de outro catamaran maior e mais pesado do que ele, 44 pés, arremessado violentamente contra o seu mastro e em cima da sua rede na proa.

Amávamos o nosso Cascalho. Cuidávamos dele como muito poucos cuidam do seu barco. Quem nos conhece, quem navegou conosco, quem curtiu suas férias a bordo conosco, sabe o quanto ele era amado por nós. E todos que o conheciam passavam a admirá-lo também. 

Descanse em paz Cascalho. Voce continua sendo o nosso sonho. Nos levou para tantos lugares, nos fez viver tantas coisas maravilhosas, conhecer tantas pessoas incríveis... ficam as maravilhosas memórias e as mais de 80 mil fotografias que tiramos ao longo desses cinco anos. 

Precisou vir a maior tempestade de todos os tempos para te derrubar. Nós vamos sentir muito a tua falta. E por qualquer lugar por onde andarmos e por todas as horas e sempre vamos lembrar de ti!!!

Quanto a nós, saímos de casa para voltar em dois dias. Mas nunca mais poderemos voltar. Estamos arrasados. Difícil encontrar forças e saber por onde recomeçar. Sentimos fome mas é difícil comer, sentimos sono e cansaço mas é difícil dormir e descansar, a tragédia e a única coisa que povoa os nossos pensamentos. Estamos vivendo a tragédia que ate hoje so tínhamos visto através das telinhas da televisão ou dos telefones. O que se ve através dessas telas, não é nada comparada a realidade nua e crua. Temos pouco mais do que a roupa do corpo e um par de havaianas. Mas temos muita sorte na vida! Estamos vivos sem nem um arranhão fisico e apenas 36 horas depois da tragédia, conseguimos embarcar em um dos poucos barcos que sobreviveram, e chegamos em Porto Rico com alguns outros amigos. Fomos as primeiras pessoas a deixar a ilha. Meu Deus, como foi difícil virar as costas e partir deixando lá a nossa história e tantos amigos. Ficamos ainda muito mais tristes por todas as pessoas que não tem a mesma sorte que nos. Que não tem como sair da ilha, que não tem escolha, que não tem outro caminho a seguir. O nosso desejo é nos restabelecer, comprar roupas e calcados para nós, voltar para lá e ajudar na reconstrução da ilha e da vida das pessoas que lá estão e que não tem a mesma sorte que nós.


Também nao conseguimos encontrar palavras para agradecer a cada um de vocês que em pensamento, oração, mensagens, compartilhamento, curtidas e até mesmo em silêncio estiveram conosco nestes momentos tão difíceis. Sem a ajuda de vocês, não teria sido assim. Ainda nem conseguimos ler todas as mensagens. Só hoje estamos tendo acesso a internet. Pode demorar, mas nos vamos responder especialmente a cada um de vocês.

Nós acreditamos no poder da Protecao Divina. O nosso Cascalho não resistiu. Mas o nosso abrigo sim. E foi o único que saiu intacto da tempestade. Foi a corrente de orações e o poder do pensamento positivo que nos salvou. Muito muito obrigado de coração a cada um de vocês.

SANTO ANJO DO SENHOR
MEU ZELOSO GUARDADOR
SE A TI ME CONFIOU A PIEDADE DIVINA
ME REGE, ME GUARDE, ME GOVERNE E ME ILUMINE,
AMEN!

Cascalho velejando pelo Mundo

Às vésperas de completar quatro anos vivendo no mar, consideramos os Mares do Caribe o quintal da nossa casa. É aqui que temos conhecido os mares mais lindos que jamais imaginamos existir, feito mergulhos incríveis e tido milhares de encontros espetaculares com as mais diversas espécies marinhas, conhecido tantas pessoas e vivido tantas histórias fantásticas, que é impossível lembrar quantas.

Temos trocado diariamente a roupa da nossa alma. Saímos completamente da rotina e enchemos os nossos cinco sentidos, experimentando gostos, sabores, culturas, lugares, conhecendo pessoas e acumulando histórias.

Temos descoberto no mar uma das formas mais prazerosas de viajar e de viver. Não deixando dúvidas de que escolhemos o sonho certo para viver.

Gostaríamos de convidar você para assistir esse vídeo, para conhecer muito mais da nossa história.

Esperamos você a bordo do Cascalho pelo Mundo para vivermos momentos incríveis e inesquecíveis juntos!

O seu amanhã é o resultado dos seus sonhos de hoje!
Cascalho velejando pelo Mundo!

Em breve...

Estamos trabalhando para atualizar o nosso blog... tem muitas histórias vindo por aí!
Aguardem.


Férias... vem prá bordo do Cascalho você também !!!

Depois de voltar das suas férias a bordo do Cascalho, diga aos seus amigos apenas que você viveu uma das melhores aventuras da sua vida. Deixe assim. Deixe no ar. Até porque, traduzir em palavras todas as sensações de prazer que você irá experimentar, será uma tarefa bastante árdua... ainda mais que, se as pessoas gostarem do seu relato, você corre o risco de perder a sua paz. Elas te farão falar mais e mais e você precisara urgentemente de outras férias!

A doce vida de quem mora no mar...

Kitesurf Trip no Caribe... a bordo do Cascalho !!!



O sol desponta no horizonte. As primeiras nuances de claridade começam a modificar as cores da paisagem e panos multicoloridos enfeitam os céus das Grenadinas. Os ventos alísios, que sopram constantes nestas latitudes, enchem abundantemente a pipa, elemento principal do equipamento que impulsiona o kiter. As linhas ligadas a barra permitem que os movimentos sejam controlados, enquanto aquelas ligadas ao corpo através do cinto, permitem surfar as ondas numa prancha. Velejo e surf. Kitesurf.

O vento, ingrediente imprescindível para a prática deste esporte radical, não é facilmente encontrado em qualquer outro lugar do mundo. Aliado ao sol, que brilha majestoso do início ao fim do dia, e as paisagens estonteantes e exóticas, que esbanjam a beleza emoldurada por águas cristalinas, de temperatura agradabilíssima e de tonalidades de azul sem igual, inimagináveis até o momento do primeiro encontro, fazem deste cantinho um verdadeiro paraíso para a prática do esporte.

Os recifes de coral também são determinantes na composição do cenário. A sotavento deles, piscinas naturais e de águas tranquilas. A barlavento, vento e mar unem suas forças e permitem ao kitesurfista que se movimente rápido, surfando as ondas e fazendo suas acrobacias pelo ar. Quanto mais experiência, mais manobras, mais acrobacias, mais velocidade...

St Vincent e as Grenadinas oferecem vários spots perfeitos para os amantes do esporte. Tobago Cays, Mayreau, Union Island e Petit St Vincent são alguns dos melhores. E o Cascalho joga âncora lá dentro. Aqui, a pipa é inflada e a decolagem é feita a bordo. Sim, a bordo do Cascalho. As possibilidades são inigualáveis. Difícil mesmo, é recolher o equipamento, dobrar a pipa e voltar para o corre-corre da cidade.

Pelos Mares do Caribe...

Era domingo de manhã. Estávamos numa poita na Sunsail Blue Lagoon Marine em Saint Vincent, esperando hóspedes muito especiais. Logo depois da emoção da chegada, soltamos os cabos, contornamos cuidadosamente todos os arrecifes e, cuidadosamente como o trajeto inicial exige, nos dirigimos para o canal de saída do lagoon. Assim que os arrecifes ficaram para trás, içamos as velas, desligamos os motores e, a partir dali éramos apenas três no universo, completamente interligados e em harmonia. Naquele momento, um não podendo existir sem o outro: o barco, o mar e o vento que enchia as nossas velas nos levando exatamente para o ponto onde queríamos chegar. Nesse dia, não prestamos atenção a como estaria a maré no momento de cruzarmos o canal Norte de Bequia. Não deu outra... o mar mexido, nos fazia subir e descer alguns morrinhos feitos de água. Mesmo assim, a navegação era muito prazerosa. Estávamos em oito a bordo e, com exceção do capitão que estava no leme, curtimos cada momento, atentos a todos os detalhes, confortavelmente acomodados na proa do Cascalho. 

Fomos flagrados neste momento de extrema felicidade e relaxamento. E, o resultado foi lindo!













Fotos: Kenmore's Yacht Photography

Por onde temos andado... As Ilhas do Caribe.

Mapa das Ilhas do Caribe.
Grenada, a ilha da noz-moscada.
Sandy Island, em Carriacou.
A piscina de tubarões lixa, em Clifton-Union Island.
Happy Island.
Tranquilidade, em Tobago Cays.
Salt Whistle Bay, em Mayreau.
Em Canouan.
O artesanato de Bequia.
Jack Sparrow, em Wallilabou, St Vincent.
Os Pitons, em St Lucia.
Carnaval na Martinica.
The Saintes.
Deshaies, em Guadaloupe.
Deep Bay, em Antigua.
O Porto de Gustávia, em St Barts.
Having fun em Sint Maarten.
Sandy Island, agora em Anguilla.
Ancoragem tranquila em Anguilla.
Valente Cascalho singrando mares !!!

Você consegue lembrar de como se sente nos dias que antecedem a sua viagem de férias? Você muitas vezes não sabe exatamente o que vai encontrar mas, sabe que vai ser deslumbrante. Nós estamos vivendo o sonho da nossa vida. Uma vida de aventuras e descobertas. Antes de chegar aqui, sabíamos de ouvir falar e contar, que o Caribe era feito de água turquesa cristalina e muitos corais e peixes no fundo do mar, esperando para serem explorados, ilhas e ilhas repletas de palmeiras e areias branquinhas ou nem tanto, música, música e mais música em todos os lugares, a cultura rica e fascinante do mundo rasta, muita história e muita natureza para serem desbravadas. Não víamos a hora de chegar aqui e explorar tudo aquilo que os nossos corações desejavam e que este pedacinho do mundo tinha para nos oferecer. Quando aqui chegamos, ficamos deslumbrados. Tudo era muito mais do que tínhamos sonhado: mais lindo, mais azul, mais verde, mais vida, mais cores, mais música...

Acordamos todos os dias e continuamos sonhando. E, pelo andar das coisas, acordaremos e continuaremos sonhando por muitos mais dias, semanas, meses ou talvez até anos, até conseguir saciar a nossa vontade de viver estas ilhas.

As Ilhas do Caribe, se espalham desde a costa da América do Sul, na altura da Venezuela, até a Flórida, formando um grande arco como se fossem pedras colocadas propositalmente de modo a formar uma escada para gigantes. Do lado leste, o vento sopra forte: são os alíseos que vem do Oceano Atlântico. No lado oeste das ilhas, protegido dos fortes ventos, está o bem mais calmo Mar do Caribe e o sol brilhando em quase todos os dias do ano. Dizem que são mais de sete mil ilhas. Nestes seis meses, velejamos norte e sul, várias vezes, explorando as Ilhas de Barlavento e de Sotavento, no sul desta imensa cadeia. Bem longe de chegar à Flórida e muito mais longe ainda de conhecer todas elas. Quantas ilhas visitamos? Vamos ver se ao final deste relato seremos capazes de responder! 

Fizemos das Ilhas de Sotavento e de Barlavento o quintal da nossa casa e nos familiarizamos com elas. 

As Ilhas de Barlavento, ou seja, as que estão colocadas do lado em que sopra o vento, incluem Grenada, St Vincent e as Grenadinas, St Lucia e a Martinica, quatro diferentes países. Três deles independentes, com tradições inglesas e, apenas a Martinica, um pedacinho além mar da França. Enquanto aqui se fala francês e a moeda é o Euro, nos outros três países se fala inglês e a moeda é o EC, dólares do Caribe Ocidental. Já a vários anos, a cotação é 1 dólar americano valendo 2,67 dólares do Caribe Ocidental. 

Partindo do sul, depois de Trinidad e Tobago, o seguinte país é Grenada, famoso no mundo inteiro pela cultura da noz-moscada. Composto por três ilhas principais: Grenada (a principal e maior), Carriacou (a ilha cercada de corais) e Petit Martinique (uma pacata ilha de pescadores), mas ao redor delas, dezenas de outras pequenas ilhas que oferecem ancoragens e paisagens de perder o fôlego, como as pequenas Saline Island e Sandy Island.

Depois vêm St Vincent e as Grenadinas. Onde está o Sofriere, um vulcão gigante e amedrontador, cuja cratera está sempre envolta em nuvens, fato que contribui para deixá-lo ainda mais assombroso e, Wallilabou, uma tranquila baía que se tornou muito famosa por ter sido locação do filme Piratas do Caribe. Espalhadas entre a ilha de St Vincent e Grenada, estão as Grenadinas, que fazem parte de St Vincent, um conjunto de ilhas menores, algumas com montanhas muito altas e outras formadas por não mais do que um amontoado de areia presa entre corais. É o caso do pequeno arquipélago de Tobago Cays, composto por cinco pequenas ilhas, com praias perfeitas de areia branca águas cristalinas, arrecifes muitos coloridos e muita vida marinha. As principais ilhas das Grenadinas são: Petit St Vincent, Union Island, Palm Island, Mayreau, Tobago Cays, Canouan, Bequia e a elegantíssima Mustique. Aqui também, dezenas de pequenas ilhas espalham-se ao redor das principais e são, nada mais nada menos do que puro encanto. É o caso de Mopion Island e Happy Island.

Ao norte de St Vincent, está St Lucia, montanhosa, com seu vulcão ainda ativo exalando um pesado cheiro de enxofre, e muitas, muitas atrações naturais, dentre elas os Pitons, o Gros Piton e o Petit Piton, com mais de 700 metros de altura, dois maravilhosos picos vulcânicos que dominam a paisagem sudoeste da ilha.

Por último, fechando a cadeia das Ilhas de Barlavento pelo norte, está a Martinica, a maior de todas elas, chamada pelos Índios Caraíbas de Madinina, a ilha das flores. É a terra da cerveja Lorraine e das deliciosas baguetes e croissants franceses. O carnaval aqui foi uma delícia.

As Ilhas de Sotavento, as que estão do lado oposto do qual o vento sopra, incluem dez ilhas principais, além de dezenas e dezenas de outras pequenas ilhas, espalhadas por mais de 200 milhas, que fazem parte de diferentes nações: algumas francesas, outras holandesas e outras independentes com tradições inglesas. Por aqui, três línguas (francês, inglês e holandês) são oficiais e, três diferentes moedas: euro, dólares americanos e dólares do Caribe Ocidental. Como num grande shopping center, podemos encontrar de tudo, desde história acima e abaixo da superfície tanto do mar quanto da terra, os maiores e a maior concentração de embarcações do mundo, excelente vida noturna, cassinos e lojas de grife, inclusive duty free, espalhadas pelas ruas da holandesa Sint Maarten, todo o glamour de St Barts, assim como praias desertas e outras áreas onde você é o único ser humano presente, e nos fazem sentir exatamente no fim ou, pelos contrastes, do outro lado mundo.

Podemos dividí-las em três diferentes grupos: as Ilhas das Montanhas e dos Mangues, que se estendem desde a Dominica até Barbuda, incluindo Marie Galante, The Saintes, Guadaloupe e Antigua. As Ilhas da Renascença, compostas por St Martin e Sint Maarten, St Barts e Anguilla, uma das maiores bases para super embarcações no Caribe e, finalmente, as Ilhas que Escovam as Nuvens, que estão na ponta norte da cadeia vulcânica que começa em Grenada, e tem como característica serem pequenas, montanhosas, com vulcões ativos e rodeadas por águas profundas. São as ilhas de Montserrat, onde está o vulcão mais ativo do Caribe, St Kitts e Nevis, Statia e Saba. 

Tem diversão e atração para todos os gostos. Tanto na terra quanto no mar. Tanto navegando quanto ancorados! Nas próximas postagens, visitaremos cada uma e navegaremos entre cada uma destas ilhas...

6 meses pelos Mares do Caribe... e, de volta a Grenada onde tudo começou!

Vista aérea da Prickly Bay.
Prickly Bay Marina.
Prickly Bay Marina.
Voltando pra casa !!!
O clássico e o moderno! Baía cheia.
Congestionamento no dinghy dock.
Um dos espetáculos de cada dia...
Depois da chuva...
Água doce!

12 de junho de 2014 - quinta feira
Latitude 12°00'0.582"N e Longitude 061°45'41"W
13:15h

Depois destes poucos meses navegando pelo Caribe, não poderíamos estar mais felizes. E, coincidência ou não, exatamente 6 meses depois, jogamos âncora no primeiro waypoint destas ilhas, como se aquele cantinho estivesse reservado para nós. Velejamos muito, conhecemos muitas ilhas, pessoas e culturas diferentes e recebemos muitos brasileiros a bordo, familiares, amigos e até desconhecidos que se tornaram nossos amigos antes mesmo de embarcarem. Todos, sem exceção, nos ajudaram a matar um pouquinho da saudade que sentimos de casa.

Mas afinal, onde é a "nossa casa"?

Ter voltado para Grenada, foi como saudar um velho e adorado amigo. Algumas poucas coisas mudaram e, para melhor. Agora podemos comprar pão fresquinho todas as manhãs na Prickly Bay Marina, recém saído do forno e, saboreá-lo no café da manhã. Antes não tinha. Entretanto, a maioria das coisas continua exatamente igual: ao chegar, fomos imediatamente reconhecidos pelo pessoal da marina, do restaurante e do bar, assim como por alguns velejadores que fizeram da Prickly Bay a sua casa, ou estão aqui apenas para passar a temporada dos furacões, como nós. As ruas continuam com as mesmas curvas, o reggae music continua enchendo os ouvidos por ser muito bom e também por ser tocado muito alto. A comida continua apimentada e com um sabor forte de curry. Os constantes ventos alíseos continuam soprando, ora com maior ora com menor intensidade, e o sol continua brilhando, incansável, mantendo a nossa pele com um dourado surpreendente. Nossos pés estão mais do que acostumados a nada além das havaianas, é claro. E, dizer "bom dia, boa tarde  e boa noite" para todos, sem exceção, com os quais cruzamos nas ruas é mais do que normal. Acima de tudo, nos vemos perfeitamente integrados ao "island time", onde tudo acontece devagar, preenchendo os nossos dias.. Ah, e o rum continua delicioso, o antigripal favorito do capitão.

Acho que me perdi... onde afinal é a"nossa casa"?

Hoje, o barco é a nossa casa. E ele tem bandeira italiana, porque o compramos na Itália e, a lei brasileira não nos permite dar a nossa casa, a nossa nacionalidade. Então, a casa do nosso barco é a Itália. No alto do mastro, a boreste, flamula hoje a bandeira de Grenada, uma cortesia ao país que nos permite navegar em suas águas. E, a bombordo, a nossa bandeira, a bandeira dos tripulantes do Cascalho, a brasileira. A nossa casa... Dá para entender o tamanho da confusão?

Para nós, "casa" tem um conceito muito abstrato e vai muito além do espaço físico. Nossa família e nossos amigos de sempre, continuam no Brasil. E hoje, temos amigos espalhados por diversos cantos do mundo. Nosso coração está com eles. Quanto ao Cascalho, já proporcionamos a ele e ele a nós, muitas emoções neste um ano e meio de aventuras. Ele continua italiano e nós, continuamos brasileiros. Hoje estamos em Grenada, felizes no nosso atual endereço. 

Chegamos então a conclusão de que "casa" é, na verdade onde o nosso coração está. Desta forma, estamos sempre perto das pessoas que amamos, mesmo estando distantes. O Cascalho, sedento que estava por navegar novas águas, já não se importa mais com a questão. E, que o legal de andar por aí em um barco a vela, de ilha em ilha, é que vamos fazendo de cada uma delas a "nossa casa" e, espalhando pelo mundo pedacinhos do nosso coração.

Celebridade... o Cascalho na Revista Náutica !!!

Depois do sonho realizado, a compra do barco, novos desafios... o desafio de singrar outros mares, de viver outra vida, aquela com a qual sempre sonhamos, de conhecer novos lugares, outras pessoas, novas culturas, novas cores, gostos e sabores. Hoje, o Cascalho navega livre pelos Mares Azuis do Caribe e nós, encontramos muito, muito mais do que aquilo que tínhamos imaginado... a verdadeira liberdade tem muito mais cores e sabores do que supunha a nossa vã filosofia. 

"Ainda não se cansaram da vida no mar?"..."Quando vocês voltam para casa?"... São perguntas que nossas famílias e amigos não cansam de nos repetir. Só quem vive essa experiência fantástica é que consegue entender que essa é a nossa verdadeira casa, o nosso verdadeiro lar. Do mar e da natureza, vamos ganhando tudo que precisamos... do vento e do sol vem a energia que nos permite fazer quase tudo que fizemos em casa, da chuva e do próprio mar, através do processo de dessalinização, vem a água que precisamos, o mar nos dá muito do nosso alimento... aprendemos muito com todo o barulho, o silêncio e com todas as cores da natureza. Além disso, o mar também é o nosso ambiente de trabalho, aqui recebemos os nossos convidados, conhecidos ou não, mas que com certeza se tornarão nossos amigos, e fizemos uma troca muito legal: proporcionamos a eles a experiência fantástica de viver por alguns dias como nós vivemos e, através do pagamento das diárias, como se fosse num hotel, vamos tendo condições de continuar mantendo vivo o nosso sonho. O sonho de Viver a Vela !!!

Talvez um dia, a gente encontre um lugar que nos faça sentir vontade de ficar. Talvez a gente se canse e resolva mudar... afinal, tudo deve ser eterno enquanto durar, como disse o grande Vinicius de Moraes. Mas hoje, podemos afirmar com toda a certeza, que queremos descobrir muito do que há entre o azul do céu e o verde do mar. Queremos que o nosso quintal seja delimitado pela linha do horizonte, para que quando lá chegarmos tenhamos a certeza de que poderemos continuar seguindo, sempre, até onde e quando quisermos.

Gostaríamos de parabenizar o Tarcísio Alves e a equipe da Revista Náutica, pela excelente reportagem que escreveu, desmistificando e alimentando o sonho de todos, de quem já vive, de quem ainda planeja, de quem só quer por alguns dias e até de quem só quer saber como é, viver a bordo !!!

Corra para a banca, compre o seu exemplar da Revista Náutica de fevereiro e saiba mais... muito mais a respeito dessa aventura espetacular. E talvez, as suas próximas férias possam ser a bordo do Cascalho pelos Mares do Mundo !!!

Férias no Caribe? Saiba como...
Revista Náutica, edição de fevereiro/2014.
E vá direto para a página 78...
Olha o Cascalho aí gente... elegante em Salt Whistle Bay!!!
Um sonho... férias no Caribe !!!
Olha o Cascalho aí de novo... Sim !!! Somos turistas profissionais !!!
Ou seria... Lar, salgado lar !!!
Uma imagem vale mais do que mil palavras...
Já pensou quanto vale ver ao vivo e a cores !!!